quarta-feira, 24 de maio de 2017
¨POESIAS ACREANAS - Nazareno Lima - 2017
VI VISÃO - 2017
Nazareno Lima
Giram em redemoinho os ventos fortes
Nos baixadões de areia, soterrados...
Onde passavam vapores carregados
Para suprir os povos seringueiros...
Nem Guarayos, Nordestinos ou Fazendeiros
Existirão nas terras dos Caucheiros,
Bolivianos, peruanos... Brasileiros
Sumiram tudo, enfim, pra nunca mais.
E reinará finalmente a grande Paz
Neste espaço de traições e muitas mortes!
Reinarão então sol e calor
E as "friagens", já há muito se alongaram...
Aqueles fungos também se exterminaram...
E as Lachesis deixaram de existir,
Assim se fez também ao Catuqui
E ao seu resistente protozoário,
O Anopheles também saiu do páreo,
Também assim se fez aos Triatomas
E outros poderosíssimos Genomas
Que causaram ao seringueiro tanta dor.
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segunda-feira, 22 de maio de 2017
POESIAS ACREANAS - Nazareno Lima - 2000
OS MUDOS - 10/04/2000
Nazareno Lima
Eu
tenho tanto à falar ao mundo,
Pena
que ele não me dê ouvidos:
Sou
dos anônimos que vivem escondidos,
A
sustentar este pesar profundo!
Quantos
tal eu estarão perdidos?
Vítimas
do vil anonimato infundo,
Semelhante
a um pobre vagabundo,
Na
alheia dependência dos sentidos!
Talvez
pior do que foi Canudos:
É
triste esta multidão do mudos,
E
não há quem conte este acervo...
E
muitos morrerão emudecidos ...
E
eu para não ser um dos vencidos ...
Já
que não falo, ao menos escrevo!
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* O poeta falava nesse texto do puro
anonimato em que viveram os
Seringueiros Acreanos, os quais nem
a História vos conheceu direito.
O poeta falava como um deles.
domingo, 21 de maio de 2017
POESIAS ACREANAS - Nazareno Lima - 2014
ROTINA - abril de 2014
Nazareno Lima
Mas essa luta, tal uma diversão,
De supetão, desconexou-me:
Não sei ainda se Deus perdoou-me,
Mais vou pedir de todo o coração!
Ainda luto e lutarei enfim,
Neste motim de tantas ofensas...
Fé e Moral foram tão propensas
E todas as crenças se negaram a mim!
Mas minha luta continua forte,
E a cada dia muito mais ainda:
Se perguntarem quando a luta finda,
Talvez nem mesmo quando vir a morte!
Esta é a luta da pessoa humana,
Que a cada ser, uma lhe pertence:
O seu sucesso é quando a luta vence
Transpondo assim a confusão mundana!
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* O poeta se expressa na ideia de um
seringueiro e demonstra o quanto a
descriminação atingiu essa classe de
trabalhadores da Amazônia brasileira.
terça-feira, 16 de maio de 2017
POESIAS ACREANAS - Nazareno Lima - 2014
AGOSTOS - 30-08-2014
Nazareno Lima
- VI -
Entre Agostos e desgostos, vejo
Malabarismos de mil saltimbancos,
Barbaridades de cem mil arrancos,
Contra as verdades que eu sempre almejo.
Na qualidade do sabor do beijo,
Quero pensar como os heróis brancos,
Impulsionado por mil solavancos,
Curar Minha alma desse grande aleijo!
E quando o último Jornal dos Oprimidos,
Listar a relação dos esquecidos
E nesse Rol figurar meu pobre nome...
Sairei do anonimato então proscrito
E soltarei na Floresta um grande grito:
Que um homem no Brasil venceu a fome!
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* O poeta fala com o sentimento do seringueiro
que depois de muitos anos habitando a cidade,
depois de passar muitas e muitas dificuldades e
descriminações... ainda sente a falta da vida na floresta.
A fome que o poeta se refere no poema não é a fome
de comida, é a fome de justiça, a fome de direitos,
a fome de respeito... e que o seringueiro jamais tiveras na cidade.
segunda-feira, 15 de maio de 2017
POESIAS ACREANAS - Nazareno Lima e Chico Mendes - 1982
SOLILÓQUIO À MINHA MÃE - IV - 1982
Nazareno Lima e Chico Mendes
Ó mãos humanas – Tentáculos de pedras
Que apertam a aceleração dos motores:
Matando vidas vegetais aos horrores
E não se cansam de ouvirem as quedas!
As vozes tristes ... As que ordenam
A ação de destruir de formas pretextas.
A bulimia maldita de todas as bestas
Pairam nestes seres que o natural condenam!
Queria, com meu pobre raciocínio ...
Que, de olhar, meu ego se consome:
Saber a vil razão desta atra fome
Destes ambiciosos do extermínio!
Responde-me ó Deus, porque tanto come
Esta sociedade devastadeira?
Ainda que destruas a floresta inteira,
A floresta inteira não lhes mata a fome!
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* No desespero da destruição da Floresta,
o poeta Nazareno Lima e o Ecologista
Chico Mendes escreveram esse poema que
tem a essência da tristeza e da injustiça do seringueiro.
segunda-feira, 8 de maio de 2017
POESIAS ACREANAS - Nazareno Lima - 2012
POEMA TRISTE - 05 /09/2012
Nazareno Lima
Descendo do povo triste
Que entristeceu a Floresta,
Hoje enfim nada mais resta
Deste povo entristecido...
Pelo Brasil, esquecido...
Sem história e sem lembranças,
Que viveu só de esperanças,
Apoiado em suas crenças,
Lutando contra as doenças
Sem Governo que o assiste!
Povo pobre desprezado,
Imigrante do sertão,
Seguidor da devoção,
Pela seca, castigado:
Talvez o mais explorado
Que a América já viu,
Foi quem mais contribuiu
Para enricar o País...
Mas a História não quis
Registrar esse passado!
Povo pobre e solitário
Extrator da Goma Elástica,
Viveu a vida mais drástica
Que no Brasil já brotou:
Pois em tudo lhes faltou
Exceto a esperança,
Onde a luta não lhe cansa,
Porém não lhe torna ilustre
Aonde a Febre Palustre
Foi o grande adversário!
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* O poeta fala aqui pura e exclusivamente
do homem da floresta do Acre. O seringueiro
foi o profissional mais solitário das Américas e
o mais explorado e sofrido do Brasil
POESIAS ACREANAS - Nazareno Lima e Chico Mendes 1982
SOLILÓQUIO À MINHA MÃE - 1982
Nazareno Lima e Chico Mendes
A
inchação das cidades escorraça
A
composição natural das simbioses...
Chama
a miséria humana em altas vozes
E
cria o ser moderno em ameaça!
Porém
não nega a justiça, a Natureza:
Esta
vetusta região que o exótico ataca:
Seus
restos mortais; tanino ou laca,
Cobrará
aos netos inimigos, com certeza!
Mãe!
Eu porém sei que vais revidar,
Disso,
até eu próprio sinto medo:
Antes
que se intemperize um penedo,
Há
de expulsá-los para não mais voltar!
Cara
“peitica”, cale seu triste canto...
Após
a “friagem”, o verão chega:
Deixai
cantar os sapos chamando quem rega
A
este futuro campo santo!!!
A
vida hoje, Santa Mãe, é impetrar!
Os
teus filhos não são trânsfuga...
Organizando
a luta contra quem suga
Aquilo
que jamais torna-se a encontrar!
Vejo
a escara no tronco dos sobreviventes
Que,
calados não reclamam desta sina:
Com
o látice transformado em resina,
Esperam
melhores dias para seus sucedentes!
Hei
de pisar o caulin, um dia...
Entre
as clareiras praticar a cinegética,
Ver
a clorofila como a arte poética
E
o Ar puro dar-me mais alegria!!!
* Aqui, o Poeta Nazareno Lima e o
Ecologista Chico Mendes, nas periferias
de Rio Branco - Acre, escondidos da perseguição
da Ditadura Militar Brasileira e dos
pistoleiros dos Fazendeiros escreviam esses
versos para passar o tempo e se
distraírem da saudade das Florestas Acreanas.
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