sexta-feira, 7 de julho de 2017

POESIAS ACREANAS - Dr Mário de Oliveira - 1943





PANORAMA
Mário de Oliveira

Por sobre a mata verde, que se estende
Qual um tapete gigantesco, imenso,
O pássaro metálico distende
As asas brancas, como um pando lenço.

Em baixo, o oceano florestal resplende
Em pujante beleza, que até penso
Pairar sobre um mar, de onde rescende
Um odor estranho, inebriante e denso.

Além, flocos de nuvens, como ovelhas
De um rebanho celeste, de que Eólo
É o pastor sideral, correm parelhas...

E o Acre, silencioso, serpenteia
Em baixo, em mil volteios, sobre o solo,
Qual anaconda imensa, que coleia...

Rio Branco - Acre, 12 de setembro de 1943.

POESIAS ACREANAS - Dr Mário de Oliveira - 1943




SIMILITUDES
Mário de Oliveira

Quanto tempo a dormir, ó pobre coração!
Qual, da lenda vetusta, o castelo encantado
Da “Bela Adormecida”, assim, também, coitado,
Vives, há muito tempo, em longa hibernação...

Reza a lenda que, um dia, o “Príncipe Esperado”,
Cumprindo do Destino antiga predição,
Penetrou os umbrais da silente mansão,
Despertando a “Princesa”, e livrando-a do fado...

Semelhas, coração, à princesa lendária:
– Teu destino, também, é voltar para a vida;
Mas a ventura é curta e a tua sorte é vária...

Quanta vez redivive o teu sonho esplendente,
Despertado em contato a outra alma querida,
E volves, a seguir, ao castelo silente!...

Rio Branco, Acre, 7 de setembro de 1943.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

POESIAS ACREANAS - Dr Mário de Oliveira - 1943





ENCHENTE
Mário de Oliveira  - 1943

Faz pouco, o rio parecia um veio
D’água, humilde, a fluir calmo e cantante,
Modulando saudades, se bem creio,
Do recôndito berço já distante...

Agora, entanto, alçando o colo, cheio,
Outro parece, – bélico, arrogante,
Arrasando, sem dó, qualquer bloqueio,
Que à cavalgada infrene surja diante!

É belo, assim, na galopada louca,
Qual um corcel fogoso, espuma à boca,
Espumantes balseiros conduzindo!

Espraiando-se, túrgido, iracundo,
Parece até querer tragar o mundo,
– Castigo da Bíblia repetindo...


terça-feira, 27 de junho de 2017

POESIAS ACREANAS - Nazareno Lima - 2002


MAIOS - 25-05-2002
           Nazareno Lima

                 - V -
Tal sobrevivo do viver espesso...
Vindo do berço das explorações:
Eu reconheço em muitos milhões
Os meus grilhões com o mesmo apreço!

Eu ofereço estas expressões...
Às intenções postas ao avesso:
As ilusões custam alto preço
E é o começo das desilusões!

O homem luta pelo que ele pensa...
Mas há de vir algo que lhe vença,
Neste sistema, sobre o qual, presumo...

Quanto mais luta nesta intenção,
Mais contribui para a exploração
Pois, tudo aqui segue o mesmo rumo!









* O poeta reclama da vida que teve
depois de sua floresta invadida.