sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

POESIAS ACREANAS - Nazareno Lima - 2000

MINHA FALTA   -   18/06/2000
                               Nazareno Lima

⦁    I –
Eu tenho um tato, um olfato, um faro...
Que não entendo, de que lugar vem
Talvez de Deus, da Genética ou do além,
De ser um Ser de valor muito raro!

A minha sensibilidade eu comparo,
A de um espírito; o humano não tem
E quando tem não a usa para o bem,
Pôr isso pela vida, eu pago um preço caro!!!

Faz muito tempo que tive um aviso,
Que a minha morte será um prejuízo
A este mundo pobre e descuidado!...

Quando eu aqui, deixar de ter vivido;
Vasculharão meu lixo, escondido
Para estudarem o meu pobre passado!

⦁    II -                        

A resultante de tanto sofrer
E o antropomorfismo dos neuróticos,
Fizeram de mim um dos exóticos,
Com uma fome enorme de conhecer!

A psicologia dos psicóticos,
Faz-me sentir sem conhecer:
O que penso, não dá para escrever
Mesmo que fosse nos estilos góticos!

Para a humanidade seria um horror;
Se acaso um mega computador,
Captasse toda a minha arte infinda ...

E, sinto haurindo o universo imenso,
Que a Dialética Antagônica que penso,
Nenhum ser humano pensou ainda!
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POESIAS ACREANAS - Nazareno Lima - 2000


     COMPENSAÇÃO   -   04/2000
                               Nazareno Lima

Há muitas flores nesta Estado pobre,
O que encobre a violência densa ...
E a inocência daquele que não pensa
Faz mais imensa a humildade nobre!

Há muitas flores neste Estado pobre:
Eu rogo que sobre esperança e crença!
Apesar da vida espoliada e tensa ...
Rarefaz-se o ódio e a desavença!

Quanta Floresta produzindo flores!
Quantas mulheres produzindo amores!
Quanta esperança que ainda resta ...

Enquanto muitos, nada disso pensam;
Deus e Ciência, vos rogo que vençam
A estes empíricos que a razão detesta!
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POESIAS ACREANAS - Nazareno Lima - 2000

MINHA  VITÓRIA   -   01/01/2000
                                Nazareno Lima

Há muitos anos que espero a morte
E não cuidei que custasse tanto ...
E a esse milênio poderoso e santo,
Sei que cheguei mas foi pôr muita sorte!

As depressões, me secaram o pranto ...
Sofrer injustiças foi o meu esporte:
Eu não sabia que eu era assim tão forte
Cujas vitórias me causaram espanto!

Ultrapassei crises e doenças ...
Dominei Filosofias e Crenças ...
Fome e descriminações não me abateram!

Ou pôr sorte, ou pôr determinação,
Estou de pé aqui, como um sansão,
A rir daqueles que não me venceram !
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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

POESIAS ACREANAS - J. G. de Araújo Jorge - 1965


ROSA...ESPINHO
J. G. de Araújo Jorge - 1965

Pago a impaciência
desta paixão ansiosa
por te querer
em meu caminho..

quis colher a rosa
feriu-me o espinho.
Não é apenas só que estou me sentindo
É muito pior:
- Estou me sentindo sem você.

Terias razão ,afinal pra não acreditar
na grandeza do meu amor,
se eu fosse capaz de traduzi-lo em palavras.

Chove em minha solidão ,
este vapor que sobe do chão
é ainda teu calor.

Talvez seja o tempo...a vida...a idade...
mas a gente vai aprendendo a renunciar
a tanto que se quis...

A verdade
é que me acomodei de tal modo na minha infelicidade,
que quase que sou feliz...

E afinal há uma sutil diferença
em nosso amor,
(ninguém o diz)
tu...queres ser feliz,
eu, quero te fazer feliz!!!!!


POESIAS ACREANAS - Declínio - Nazareno Lima - 2001


D E C L Í N I O  - 17/08/2001
                           Nazareno Lima

                    - I -
Tal como d’antes, em 70, eu via ...
Minha ruína em um sol morrendo:
Sinto a velhice, hoje me abatendo,
Na mais completa e pura covardia!

Sinto a memória ir... enfraquecendo,
A versatilidade aos poucos se esvazia,
Já não possuo a mesma energia
Que me ajudou a viver aprendendo!

Nada me anima mesmo que me esforce,
Pois, isto tudo me chegou precoce,
Para extinguir o meu objetivo ...

Não é a Fome e nem a Depressão:
O que acaba a minha vibração
É o Contraste Social que vivo !!!

                   -II-
                         
É de chorar ... É de fugir da raia ...
É de cegar ... É de perder a calma.
É de odiar ... É de morrer de trauma ...
Compartilhar dessa eterna laia!

O erudito, que daqui não saia ...
Onde o grosseiro é que recebe palma!
Somente o rico pode aqui  ter alma
E a justiça ao justo pobre vaia!

Ninguém aprende, ninguém quer ensinar...
Ninguém produz e só pensam em ganhar...
E forma um povo pôr demais teimoso ...

O fanatismo voraz da ganância ...
A hereditariedade da ignorância ...
Formam assim o círculo vicioso !

⦁    III –

Mas isso tudo que ainda ufano,
Progride dentre esses apedeutistas
É uma herança dos Capitalistas,
Os quais agora chamam de engano!

Somado a vida de extrativistas,
Mais os costumes Aruaque e Pano,
Fez esse povo vir à cada ano,
Ser mais adepto dos Paternalistas!

Daí a fome de receber feito ...
Alguém terá que sempre dar um jeito ...
Em resolver sua situação ...

Pergunto agora  sem descriminar:
Quando esse povo vai se libertar
E competir na Globalização ?

              - IV -

De tudo isto que tenho falado,
Sinto tristezas... Sinto pena... Enfim,
Eu não queria falar disto assim ...
Com esse termo vil e debochado!

Eu preferia até ficar calado ...
Do que falar de quem assiste a mim.
À produzir este vil boletim,
Era melhor eu não ter poetado!

Foi assim que acostumei demais:
A só ver erros que o outro faz
E agir contra o que eu acho errado ...

Mas, quem sabe, um dia quando o inverso vir,
Não tendo história do que houve aqui ...
Meus versos falem sobre o mal passado ?

⦁    V –

Se perguntarem pôr que não parei ...
Digam que o tino não me fez parar:
Nasci de forma rude e elementar
E frente ao erro, eu calar não sei !

É esta a Cruz que sempre carreguei :
Gritar contra aquele que vive a errar!
É assim que tento na vida acertar,
Apesar de dizerem que eu sempre errei !

O erro de poucos, faz muitos sofrer ...
E muitos que sofrem, sofrem sem saber
Que esse fenômeno faz o mundo pior ...

Pôr isso é que o tino não me faz parar :
Se o homem procurasse sempre acertar,
Teríamos um mundo cada vez melhor !
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* Nesse Poema o Prof. Nazareno Lima
interpretava um Seringueiro expulso de
suas terras pelos fazendeiros do Sul
brasileiro que expulsaram quase todos os
 seringueiros do vale do rio Acre na década de 1970.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

POESIAS ACREANAS - Nazareno Lima - 1990


      Recado à minha Mãe – 07/11/90
                               Nazareno Lima

Mãe, eu não me calei pôr revolta ...
Eu sinto vontade de falar ainda!
Espero uma energia de ti vinda,
Pra içar o eco que o meu peito solta!

Ó Mãe, sejais pois, minha escolta ...
Não me atribuas esta enorme cinda!
Não posso ser agora algo que se finda
Pois, ainda tenho algo a fazer de volta!!!

Mãe, eu sinto a doença me alquebrando;
Apesar de tanto ar, o ar está me faltando
E tu, diante disso não me socorre ...

Minha vida é tão útil a sua vida:
Minha missão ainda não foi cumprida ...
Não posso morrer tal um inimigo morre!!!
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POESIAS ACREANAS - V Visão - 2004 - Nazareno Lima

V - VISÃO - 2004
RESUMO - 17/02/2004
                   Nazareno Lima
 
             - I -
Vi coisas neste país
Que deixou-me estarrecido ...
Tornei-me compadecido ...
Horas julguei-me infeliz
Pela miséria do povo.
Pedindo algo de novo
Para a esperança voltar
E, então eu poder votar
Sem ter que me arrepender
E que o leitor possa me ler
E então depois pedir bis!

Alguém disse no Mercado,
Lendo a minha poesia,
Que só escrevo arizia,
De pensar ultrapassado ...
Mas ... Como posso falar
De algo doce e decente?
Se a pobre da minha gente,
Vive no mundo à chorar ?
O poeta representa
Sua classe social:
Ele fala o que é real:
A verdade, não inventa!

           - II -

Eu vi ...
Um homem politiqueiro!
Um Fernando entregador!
O Apagão apagador,
Um país ameaçado ...
Um Governo disfarçado ...
Julgando-se verdadeiro ...
A fome multiplicada,
Criança sendo explorada
No Cerrado brasileiro!


Eu vi ...
Aquilo que não se faz;
Onde o poder do Serjão
Comprava a reeleição
Por 200 mil Reais ...
Era grande a ambição...
Muitos foram com o Chicão...
Até o meu amigo João
Entrou nesta embarcação
Por julga-la ser de paz !

Eu vi ...
Um político gira-mundo,
Chamando de vagabundo
Quem estava aposentado ...
Banqueiro desconfiado,
Vendo a crise ameaçando ...
O Dólar ir disparando
E o país recorre ao Fundo !


             - III -
Eu vi ...
O logro do Presidente,
A fome matando gente
Em São José da Tapera !
Rugindo como uma fera,
ACM - disse eu pesso,
"Mudem o painel do Congresso
Pra eu ver quem votou em mim !"
Três homens num botequim
Na orla de Diadema,
Tramavam um bom esquema
Para matarem um Prefeito
Que tornou-se incoerente !

Eu vi ...
É pensar pra conferir:
Algo que não sei dizer...
Vi o Governo à vender
O que o país possuía ...
A entrega prosseguia
Sem embaraço e preguiça,
Com o aval da Justiça
E do Congresso espreiteiro.
O Capital estrangeiro
Vinha aqui fazer a festa ...
Onde a Cultura modesta ...
Dava motivos pra rir !

Eu vi ...
Antes que alguém me visse
"Esqueçam tudo que eu disse!"
Declarava o Presidente,
Justificando um presente
Que o seu passado acusava ...
Na verdade, ele estava
À fugir da exigência
Que os opostos lhe faziam ...
Outros então prometiam,
Em consolar a pobreza,
Foi uma bela esperteza,
Pra que o Poder resistisse.

Eu vi ...
Com a maior comoção ...
A feroz espoliação
Do poder do Capital:
O Grande Plano Real
Qual aos outros semelhante!
O que o tornou brilhante
Foi a Globalização!
O Congresso demagogo
Criou um imenso jogo
Junto à Ciência espreiteira,
Falaram de tal maneira,
Burlando a população...
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