sábado, 25 de março de 2017

POESIAS ACREANAS - Aqui - Nazareno Lima - 1993



           AQUI  -  10/12/1993
                                 Nazareno Lima 
                 - I -

Tu és mais soberba do que foi Roma,
Ô terra natal dos oportunistas !
Enquanto abrigas vis capitalistas
És mais prostituta do que foi Sodoma !

Amante daqueles que dos pobres, toma:
Enquanto aplaudes os mais egoístas,
Desprezas assim os grandes artistas
E ao violento à cada dia assoma !

Lembrai pois, dos imensos seringais
E Também dos gigantescos castanhais
Qua há muito tempo se fizeram lenha ...

E o Seringueiro tão humilde e forte:
Tu o chamaste para a própria morte
E por tudo isto tu jamais se empenha !
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* Nesse poema o Prof. Nazareno Lima
fala como um seringueiro expulso da Floresta,
vivendo em Rio Branco - Acre - Brasil,
sem achar emprego e apoio na cidade.

quinta-feira, 23 de março de 2017

POESIAS ACREANAS - Nazareno Lima - 1991

05 DE SETEMBRO DE 91
                       Nazareno Lima

Mãe! Ó Mãe minha! Não morras Agora:
Faça forças para continuar a viver!
Tu não sentirás o  quanto vou sofrer,
Se eu souber que te chegou a hora!!!

Mãe, após o esforço virá a melhora
E dessa forma então, tu poderás vencer:
Tu sabes que um dia também vai morrer,
O maldito homem que hoje te explora!


Tu inda podes livrar-se desta virose:
Quem matou mais que a tuberculose
E hoje sua grande força inesiste!

Eu não quero é que tu se deixes matar:
Até a última hora terás que lutar
E a luta no tempo ganha quem resiste!
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* Neste poema o poeta simboliza um
seringueiro pensando no fim da Floresta
a qual ele chama de Mãe. Na verdade a
Floresta do Acre foi considerada por
 muitos cientistas e historiadores como
sendo uma mãe dos seringueiros acreanos.
É bom lembrar que o dia 5 de setembro
é o dia da Amazônia.

quarta-feira, 22 de março de 2017

POESIAS ACREANAS - Nazareno Lima - 1999

MINHA  ENERGIA  -  11/99
                    Nazareno Lima
A energia que me dá firmeza
A cada dia em que sobrevivo,
É a paixão pela Natureza,
Que é a beleza em que me emotivo!

Talvez pôr isso que a incerteza
De amar alguém é meu mau motivo,
Troquei o amor pelo olhar ativo
Destas paisagens que não dão tristeza!

Admirando Natureza e flores ...
Esqueci tempos desesperadores,
Que o sentimento me deixou gravado ...

Hoje casado com a Natureza,
Sinto na alma a maior certeza
Da redução deste meu pecado!
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terça-feira, 21 de março de 2017

POESIAS ACREANAS - Mário de Oliveira - 1959


RAZÃO DE SER
                            Mário de Oliveira
Quem na vida não tem, interiormente,
Uma ilusão, um sonho, um devaneio,
Já não vive, por certo, e já não sente
Brilhar a chama de um ideal no seio...

Viver, por existir, sem ter na mente
Sequer a leda miragem de permeio,
É ter n’alma a agonia do sol-poente,
Da própria vida estanque o doce veio...

Porque alimento um sonho assim, querido,
Do enlevo e de carinho entretecido;
Conservo o meu “Jardim” em floração.

E essas flores – de versos – que apresento,
Simbolizam, em parte e em pensamento,
Todo o encanto, sem par, de uma ilusão...

segunda-feira, 20 de março de 2017

¨POESIAS ACREANAS - Maios - Nazareno Lima - 2002


MAIOS - 20-05-2002
             Nazareno Lima

                 - V -
Sobrevivemos do viver espesso...
Vindo do berço das explorações:
Reconhecemos em muitos milhões
Nossos grilhões com o mesmo apreço!

Oferecemos estas expressões...
Às intenções postas ao avesso:
As ilusões custam alto preço
E é o começo das desilusões!

O homem luta pelo que ele pensa...
Mas há de vir algo que lhe vença,
Neste sistema, sobre o qual, presumo...

Quanto mais luta nesta intenção,
Mais contribui para a exploração
Pois, tudo aqui segue o mesmo rumo!


-VI -
Esta pobreza que nos desatina...
Nesta oficina da desigualdade
É a caridade da missão divina
Para quem domina a sociedade!

Que seja fina a vil ansiedade,
Dessa verdade de quem trouxe a sina:
A equidade da função ferina
Que contamina nossa honestidade!

Esta pobreza que nos conceitua,
Que há tantos tempos sobre nós atua,
Alimentando a poderosa usura...

É inconformável pois, se conformar,
Mas, essas causas há nos explorar,
É a Dialética da nossa cultura!
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domingo, 19 de março de 2017

¨POESIAS ACREANAS - Nazareno Lima 1991

MAUS LAMENTOS DE 91
                    Nazareno Lima
- XLVIII -
Mãe apesar de que estou desprezado
E mais maluco do que Nietzsche foi!
Apesar da Floresta dar lugar ao boi,
Tornando o meu povo mais atrasado!
Apesar da doença que me atacou
E da vasta fome que me debilitou
Não me arrependo de ter lutado:
É triste viver com tanta saúde,
Com a gigantesca força da juventude
E invés de consciente ser alienado
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POESIAS ACREANAS - Maus Lamentos de 91 - Nazareno Lima - 1991

MAUS LAMENTOS DE 91

                         Nazareno Lima

    - XLIII -
Mãe, demente mesmo é quem não assimila
A grande injustiça que sobre mim, pesa:
Enquanto o meu pobre irmão me despreza,
A minha consciência está tranquila!
A minha escrita ao invés de lírica
É esta vil Literatura Satírica
Que, sinto até desgosto em exprimi-la!
Isso tudo que à minha existência, custa,
É bem pior que a emboscada injusta,
Que em 23 matou Pancho Villa!

    -XLIV -
Mãe, minha vida hoje é uma insônia,
Ante as injustiças e violências!
De tanto implorar por meras clemências
Vivo padecendo de grande afonia!
Talvez quem sabe, Por eu ser do Acre...
Depois destes 20 anos de massacre,
Minha vida é uma vil acrimônia:
O meu viver já é tão obsceno
Que nem sei porque me chamam Nazareno
E nem porque te chamam de Amazônia!


* Essa expressão do Prof Nazareno Lima
no 43º e 44º poemas dos "Maus Lamentos de 91,
identifica a revolta em que tiveram os seringueiros
do Acre à época de Chico Mendes. Lembrando que
a mãe a qual o poeta se refere é a Floresta Amazônica,
á que sempre os seringueiros acreanos a consideraram
como uma verdadeira mãe deles.