quinta-feira, 22 de junho de 2017

POESIAS ACREANAS - Nazareno Lima - 2016


TUA LEMBRANÇA - Fev - 2016
                       Nazareno Lima

Que seja viva a tua lembrança,
Na esperança desses meus sentidos...
Anos vividos de perseverança,
Como a bonança aos bem-sucedidos!

Compreensiva e sem querer vingança
E nem entrança, se não for cumpridos
Esses pedidos, minha alma mansa
Certa, se lança aos agradecidos!

E essa lembrança, como remissão,
Serás presença na minha oração
Que dia a dia faz o meu viver...

Como a herança mais proselitista
É a riqueza de um pobre artista
Que tal batalha não pode vencer!
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
 * O poeta quer e ora para que a 
floresta fique sempre na sua lembrança, 
uma vez que a velhice lhe chega e ele cisma 
esquecer aquele espaço que lhe foi tão caro.


POESIAS ACREANAS - Nazareno Lima - 2015



MAIOS II - 11 - 05 - 2015
                 Nazareno Lima

          -II -
Tomado por forte ânsia,
Exaurido e contrafeito,
Com uma angústia no peito
E o horror pela ganância!

Na cidade ou na estância,
Não consegui ser direito:
Na peleja o pior pleito
É lidar com a ignorância!

Tentei... Lutei... Combati,
Insisti, mas não venci,
Usando até a ternura...

Cismando em me aculturar,
Resolvi não mais lutar
Contra essa pobre cultura!
 ¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
* O poeta fala como um oprimido 
na cidade, onde os seus concidadãos 
não entendem e nunca vão entender a 
sua razão natural e saudosista da cultura 
florestal em que vivera na sua juventude 
como seringueiro.



sexta-feira, 16 de junho de 2017

POESIAS ACREANAS - Dr Juvenal Antunes - 1922

BIFRONTE

A J. FERREIRA SOBRINHO, POETA ILUSTRE

Este é o que sempre usou, desde remota idade.
Um sistema feliz de interpretar a vida...
Alma dúbia e soez, e fronte bi-partida,
Goza especial prazer nessa comodidade

Tanto lhe faz mentir, como falar verdade...
Movendo a língua vil na boca poluída,
Se agora te mordeu com uma frase fingida,
Amanhã te dará um beijo de amizade.

A dualidade é a lei, que rege a natureza:
Temos o bem e o mal, a intrepidez e o susto,
Desengano e ilusão, fealdade e beleza...

Por isso é que a ele, aqui, neste soneto, eu gabo...
E é por isso, também, que acho lógico e justo
Que ele acenda uma vela a Deus e uma outra ao Diabo!

JUVENAL ANTUNES - RIO BRANCO, 1 – 5 - 1922

terça-feira, 13 de junho de 2017

POESIAS ACREANAS - Nazareno Lima - 2015



 MAIOS - II - 11-05-2015
- IX -
             Nazareno Lima

Sonhei morando na mata,
Comprazendo o animismo,
Vivendo do extrativismo
Naquela função ingrata!

Sem pensar no ecologismo,
Caçando e fazendo à cata,
Tendo a medida por lata
E avesso ao Capitalismo!

Nos cerrados... nas restingas,
Vivendo à cortar seringas
Para reter os meus traços...

Em 90, como eu disse:
Talvez minha alma triste
Ainda está nesses espaços!
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
* O poeta se expressa com o 
sentimento de um seringueiro 
há muito tempo morando na cidade 
e mesmo com um pensamento científico,
ainda não esqueceu a Floresta.

POESIAS ACREANAS - Dr Juvenal Antunes - 1940

ASPIRAÇÃO
   Juvenal Antunes - 1940

Amem a Glória os loucos visionários,
Desejem outros poderio e fama,
Buscar mais viva, mais brilhante chama,
Da força de milhões de alampadários.

Sejam outros humildes tributários
Da Riqueza – esquisita e falsa dama –
Que, de quem mais a quer, mais a reclama,
Foge, e entrega-se a braços milionários...

Olhem o Céu os religiosos crentes,
E, macerados, tristes, penitentes,
Juntem as mãos, em místico fervor...

Poder, Fama, Riqueza, Glória, Deus,
Tudo resume a luz dos olhos teus...
Eu quero unicamente o teu amor!
           

POESIAS ACREANAS - Dr Juvenal Antunas - 1940

AS SAUDADES
   Juvenal Antunes - ACRE/1940


As saudades variam, são diversas,
Ah! Laura, até saudades de tristezas!
Saudades de mulheres bem perversas,
Saudades de feiúras e belezas!

Saudades das mais falsas ou mais tersas,
De volubilidades e firmezas!
De crueldades, de delicadezas!

Mas a saudade que mais dói, no entanto
Traz um padecimento quase santo,
Que só nos quere mostrar as suavidades...

É a saudade que eu sinto, pois me ausento
E te levo comigo em pensamento...
Esta, Laura, é a maior de todas as saudades!