sexta-feira, 22 de setembro de 2017

POESIAS ACREANAS - Nazareno Lima - 2001



     MINHA CONTA - 26/04/2001
                                        Nazareno Lima

Meu Deus! Devo dever uma grande conta,
Tão absurda, tal a do Brasil:
Para sofrer esses problemas mil
E carregar essa enorme afronta!

Horas até, sinto a cabeça tonta,
Quando observo o universo anil:
Quero deixar a profissão servil
Porém, a dúvida a tudo desmonta!

A vida toda lutei pra valer ...
Para que um dia viesse a vencer,
Para não me ser precoce a velhice ...

Mas, essas lutas foram inutilmente,
Resta-me ser hoje um devedor eloquente
E emergente da esquizofrenice!
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

* Aqui, o poeta expressando-se como 
um ex seringueiro que habita a cidade, 
pensa numa dificuldade imensa ao 
entrar na terceira idade, uma vez que 
a vida urbana não lhe garante uma 
aposentadoria digna de viver.

domingo, 17 de setembro de 2017

POESIAS ACREANAS - Nazareno Lima - 2002



       BIOFILIA - 30/03/2002
                Nazareno Lima    

                - I -
Porque será que eu nasci assim ...
Deste proscrito ideal ativo?
Apaixonado pôr qualquer arquivo
E amando a quem custa ter um fim!

Pôr que será que eu cresci assim ...
Admirando a tudo quanto é vivo?
Com este pensar super cognitivo,
Amando a vida e desprezando a mim!

Eu tenho fé que ainda chegará
O dia que ser vivo nenhum morrerá...
Aí então teremos paz na terra:

Chegaremos ao fim da displicência
E há de cessar enfim a violência,
Que gera a fome, a exploração e a guerra!

    - II –
Pôr que será que eu amo tanto a vida?
Em contrapartida esconjuro a morte:
Seja pôr sorte ou pôr investida,
Esta partida é o revés da sorte!

Que seja forte, quem fez exprimida
A luta tida contra tal esporte:
Foi este corte que fez estendida
A minha vida para este porte!

O homem vive à implorar clemência,
Continuando na desobediência
Que o arrasta para a teimosia ...

Porém, se obedecesse mais e até
Se tivesse um pouco mais de fé,
O ser humano nunca morreria!
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
* O poeta fala como se fosse um 
seringueiro e na sua expressão era 
como se ele nada soubesse 
sobre o conhecimento e a ciência.

sábado, 16 de setembro de 2017

POESIAS ACREANAS - Nazareno Lima - 2000



DESENCONTROS   -   13/11/2000
                                    Nazareno Lima

Desencontrado pelos desencontros,
Cujas afrontas, me subjugaram,
Tantas manias me manipularam
E desapontaram os meus desafrontos!

Tantos enganos me desenganaram
E me derrotaram em todos confrontos,
As utopias são meus grandes pontos
Destes meus contos que eles não contaram!

O desespero me desesperou.
O preconceito me preconizou.
Nesta passagem de passos perdidos ...

Mas a vitória nestes sofrimentos,
Há de chegar-me em breves momentos,
Para que eu fuja do rol dos vencidos!

·         II –

O meu exemplo que seja seguido,
Pôr quem tem lido minhas elegias:
Tanta energia e ideias frias,
É a supremacia de um perseguido!

Estes meus dias que sejam vividos,
Pelo atrevido que nas minhas vias,
Despercebido, trilhar sem manias
E de alegrias faz o mal servido!

Estes poemas de 2000 lamentos,
Faz eu amar os meus sofrimentos,
Na mais Narcisa das ansiedades ...

E o legado que então me ler,
Tome a minha cruz, depois que eu morrer
Para que eu mesmo não vire saudades !!!

- III –

Tenho certeza do que vou falar
E é real o que vou dizer:
Se não fosse esse meu sofrer,
Eu não teria como poetizar!

A razão real do meu conhecer
E a força estridente do meu gritar,
É a reação a quem quer me explorar,
Quando faço a vingança ao escrever!

Fazendo assim um introspectamento,
Eu sobrevivo deste sofrimento.
Que é um parasita que me alimenta...

Tal como Hitler viveu da impotência
E John Locke, da experiência,
Eu uso isso tudo como ferramenta!!!
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

* O poeta fala como um cientista defendendo 
a um explorado e injustiçado e nesse caso os 
seringueiros acreanos que foi o povo mais 
injustiçado em toda a Amazônia em todos os 
tempos.