domingo, 9 de abril de 2017

POESIAS ACREANAS - Nazareno Lima - 2009

A DONA DA RUA - 04-2009
                        Nazareno Lima

           - III -
Sumistes por fim, do meu olhar...
Talvez pela vil contrariedade...
Causada pela diferença da idade,
Escapando do direito de lhe amar!

Caçando o sono que pouco me vem,
Julgo teus passos ouvir pela madrugada:
Meu coração em grande disparada
Cisma que a morte a levou também! ...

O teu sumiço até me impressiona...
O teu silêncio à todos atormenta ...
Teu ciúme é algo que à todos atenta
E aos mais estudiosos questiona!

Teu vulto vejo antes de deitar-me,
Revendo a imagem do teu corpo triste...
A minha mente em lembrar-te, insiste...
Como um fantasma a acompanhar-me!

Faço ao deitar-me, minha longa prece...
Para livrar-me deste vil castigo
Mas, somente o sono é meu grande amigo,
Já que em sonhos tu não me aparece!
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sexta-feira, 7 de abril de 2017

POESIAS ACREANAS - Nazareno Lima - 2017

VI VISÃO - 2017
Nazareno Lima

Quando o poeta deixar de existir
E seus irmãos também se declinarem...
Os companheiros de lutas que restarem
Rumarem enfim de vez ao infinito...
Não restará nos campos nenhum grito
Para lembrar daquilo que não resta...
Nem capoeira, roçado ou floresta
Existirão gravados na memória...
É até difícil registro na história
Do que havia nas terras do Aquiry.

Igarapés correntes já secaram
E as vertentes também seguiram juntos...
Os fazendeiros e filhos são defuntos
E a caduquice domou os vossos netos
Nem mamíferos, répteis e nem insetos
Habitará na semi árida terra...
Aposentada já está a motosserra
Por haver nada mais para cortar,
O fogo, nada tem para queimar 
E a maioria dos povos já migraram.
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quinta-feira, 6 de abril de 2017

POESIAS ACREANAS - Nazareno Lima e Evandro Teixeira - 2000


    TANTAS  E  POUCAS  -  08/06/2000
       Nazareno Lima e Evandro Teixeira             

Tanta gente que lutou ...
Tanta gente que morreu ...
Tanta gente que perdeu ...
Pouca gente que ganhou ...

Pouca gente que fingiu ...
Tanta gente que chorou ...
Tanta gente que ficou ...
Tanta gente que partiu !

Quanta gente se empenhou
Para mudar os sistemas ...
Lutas que causaram penas
E de nada adiantou!

Nas Américas, nas Europas ...
Vi surgir tantos fracassos ...
Vi o som de tantos passos ...
Vi o fel de tantas copas!

Vi o som de tantos tiros ...
O gemer de tantas bocas ...
Vi cabeças quase loucas
E o ar de tantos suspiros !

Vi mulheres entre gritos ...
Crianças desesperadas ...
Vi famílias separadas
Ao som de altos apitos !

Allende, Fidel e Che;
Força mansa e força bruta.
Adiantou tanta luta?
Hoje resta ainda o quê ?

Lênin, Stalin e Trotsky;
Que luta vocês fizeram?
O tempo as desfizeram...
Nada mais existe ali!

Zapata, cadê você ?
Huerta e Pancho Villa?
O México virou tequilla!
Tanta luta para quê ?

Hitler e Mussolini,
Para quê tanto Nazismo?
Foi um desidealismo
Que o mundo não define!

Franco, porquê razão?
Que pensavas, que dizias?
Pôr tantas vis utopias
Baldaste a revolução!

Sandino, qual teu destino?
Que pôr meras cargas d’água,
Inflamou a Nicarágua
E nosso Zé Genoíno!

A mim também inflamastes,
Neste Estado pequenino:
Chico, Eu e Osmarino
Fazendo alguns empates!

Este filme que assisto ...
Estas causas me acende!
Porquê Isabel Allende,
Me fez lembrar tudo isto?
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sexta-feira, 31 de março de 2017

POSEIAS ACREANAS - Nazareno Lima e Chico Mendes - 1982

SOLILÓQUIO À MINHA MÃE - 1982
              Nazareno Lima e Chico Mendes
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Muitas vezes com a dor no coração...
Vejo quem matou-me a grande fome:
Devorada pela máquina e a mão do homem
Sendo paga nesta triste profissão!

Os negros corpos em ruínas nas queimadas,
Mortos pelo fogo; não parece ser sério...
É tal ossadas humanas no cemitério,
Quando expostas para ser exumadas!

Não sente o homem, a dor no coração,
Quando com o ferro, da árvore fere a casca?
É impossível analisar esta grande vasca,
Que a mesma sente na sua destruição!

Perlustrando o cinério cinerário,
Lembro a cremação de humanos corpos
Que o fogo queima, depois de mortos,
Após a celebração de um funerário!

Estes seres, ó Mãe, não são ascetas;
Teu fim é transformar-se em hulha...
E eu, sem poder ouvir a arrulha...
Sinto a angústia de todos os poetas!

Dos nossos inimigos, vejo os liames;
Assim como das árvores, vejo a laca!
A caça é substituída pela vaca
E o capim substitui os enxames!

quinta-feira, 30 de março de 2017

POESIAS ACREANAS - Nazareno Lima - 2003


IV VISÃO - 2003
           Nazareno Lima
             - III -
Ao passo que o tempo passa,
O mundo nos pressiona,
A produzir mais e mais
E estudar mais ainda ...
Mas a cultura que cresce
É esta do faz de contas,
Onde o saber nos afronta
E o errar nos acompanha ...

Legislativamente falando,
Não importa a qualidade,
É melhor a quantidade
E dizer que vai fazer ...
Tem que tentar convencer,
Dizendo que vai mudar
Mas, a mudança que há
É manter o Status quo !

A violência que cresce
Nas massas consumidoras,
Interessa as produtoras
E as Comunicações ...
Na melhor das intenções;
São promessas e mais nada
E a Justiça alquebrada
Fica à parte assistindo !

A miséria que progride,
Aos políticos interessa;
É uma forma expressa
De ganhar as eleições ...
É triste as situações;
Hoje até sindicalistas
Viraram capitalistas
Com propinas dos patrões !

Hoje aqui tem companheiro
Que largou o movimento,
Com forte apadrinhamento
Quer ser dono da verdade ...
Porém, a realidade
Dizer, ninguém se atreve
Onde a Justiça faz greve
Para ganhar mais dinheiro !

Hoje aqui tem jornalista
Com feição de Ser Sublime;
Rogando que haja um crime
Pra ser manchete do dia ...
No auge da anarquia
Remédios causam doenças,
Juízes vendem sentenças
Por achar que ganham pouco!

Tem Doutor que não trabalha,
Tem Médico que não atende,
Aluno que não aprende,
Professor que não ensina ...
Tem obra que não termina ...
Engenheiro improdutivo ...
Tem político depressivo
Que vive de atrapalhar !
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